segunda-feira, 6 de junho de 2011

Legado

Que legado é esse que ninguém vê?
Que regato é esse sem mansidão?
É um legado que não há quem creia
Um regato sem santa fonte
Só a dureza da seca

Seca a seca da boca
Que pede beber
Sana o oco do buraco,
Um pão, milho, bolo
Pensar assim é coisa de louco?

Vê, quer ver
Veja a nova presa
Sensível,
Inocente,
Indefesa

Reluz grande beleza
Atração mais pura
Morbidez, penúria, clausura
Onde está a beleza do escuro?
Sem visão, sentido, só tato

Asquerosa poça de lama
De desprezíveis verdades humanas
Ou quase isso,
Se é que isso é humano
Quem destrói seu legado

Amputados cerebrais
Inertes pelas certezas
Das incertezas que pululam
Seus crânios vazios
Natimortos

Beto Guerra
19/03/2010 - 01:08h – 01:23h

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