quinta-feira, 4 de março de 2021

Vida em variáveis

Ó sim, eu sou vida

Ó sim, eu vivo

E vivo num profundo amor por esta vida

E vejo a pequeneza de cada existência


Ó sim, fulgurantemente vívido

Eu vivo

E vivo à minha maneira

Pura e singela vida


Quem diria que seria eu

Pobre eu

Dignatário de uma vida tão sublime

Tão apaixonadamente grandiosa


Para mim, quanta grandeza

Para os outros, nem tanto

Pra ninguém

Tanto quanto a mim


E por que é assim?

Por que somos insignificantes para o mundo?

Aos olhos alheios

Somos quase nada


Vento que venta

Como um sopro tardio

Envelhecendo

Dia a dia, morrendo


Quem somos para os nos querem?

E para quem não?

Quem somos para nós?

Ego, vaidade, inverdade?


Se te perguntas quem sois,

Sois aquilo a que se destinou ser

Por sua própria vontade

Por sua própria Criação


Crês ser fruto de um Criador

Único, uníssono

E se não fordes?

E se cada um é apenas aquilo a que se propôs?


Escolhas são, ou podem ser

A base de toda existência

De toda vontade

Donde nascem objetivos e realizações


E as tuas

São só tuas

De mais ninguém

De mais ninguém


E quando fordes embora

Serás tu e mesmo eu

Só lembranças

Boas ou nem tanto


Que será de teu legado

Se nenhum legado for deixado?

Tuas realizações

Que foram apenas tuas



Roberto Pereira
04/03/2021 - 20:02hs.

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