quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Diploma X Conhecimento

Não, eu não tenho diploma de curso superior. Não cursei universidade.

Não apenas porque no fim dos anos 90, além das possibilidades e condição financeira serem mais 'apertadas', depois de passar na 1ª fase do curso de design gráfico da UnB, não tive nenhum apoio para concluir a 2ª fase em Brasília.

E a responsabilidade foi minha. Eu não tinha um "comportamento juvenil" condizente para que houvesse tamanho esforço.

Eu já tinha quase 10 anos de profissão, tinha de trabalhar e as horas vagas eram para preencher minha vida de inutilidades. "Mea Culpa"!

Porém, não houve um único dia desde que comecei com minha máquina caseira de tipografia da Rimaq a fazer cartões de visita, guardanapos e brindes de aniversários em Hot Stamping, que eu tenha deixado de estudar. Todos os dias de lá pra cá foram de aprendizado.

Com o tempo, a maturidade, o propósito de vida finalmente traçado, deixei as bobagens adolescentes no passado (muito tardiamente) e me dediquei com muito mais afinco a aprender ainda mais.

Continuo sem formação acadêmica. Porém, as centenas de livros, revistas, horas de pesquisa diárias, os milhares de sites esmiuçados, as noites viradas estudando para realizar os serviços primorosamente me deram a bagagem e conhecimento que trago comigo.

Não, eu não tenho diploma de curso superior. Mas isso não diminui minha dedicação e amor ao que faço. Isso também não diminui a importância de se dedicar à formação acadêmica, científica, de pesquisa e tecnologia. Faz parte do progresso constante da humanidade.

Optei por ser autodidata. É o caminho que escolhi. Não é o caminho ideal para todos. Entretanto, eu amo o conhecimento. Sou apaixonado por aprender, compartilhar conhecimento, trocar experiências, vivências práticas, teóricas.

Tenho como livros de cabeceira Kotler, Drucker, Sean Ellis, Flanagan, Caldini, Mota Filho, Dion Fortune, etc, etc, etc. Do marketing à programação e Cabala, muita coisa me atrai.

Aprendi logo no início da profissão que se eu quisesse ser bom nas artes gráficas, deveria conhecer todos os processos. Em 1994, trabalhei na primeira gráfica e ali mergulhei nas horas vagas em cada processo após minhas criações para saber como seria o produto final. Aprendi revelação de fotolitos, acerto de máquina, acabamento, corte e vinco, relevo seco e americano, aprofundei no hot stamping.

Em 1996 fiz um mergulho de cabeça mais profundo e a internet tornou-se um caminho sem volta. Desde então, conheci o que é chamado hoje de email marketing, em 1998. Eu ia do Corel, Photoshop, QuarkXpress (na diagramação de jornais e revistas) a criação de sites com o Word e FrontPage, Flash, Dreamweaver.

Ainda assim, jamais tirei o Código Civil e de Processo Civil da escrivaninha ao lado cama. O Direito é fantástico. Em 2012, no 'auge' dos meus 33 anos dissequei um livro de marketing eleitoral e o código eleitoral em uma semana para prestar serviços a uma agência de publicidade em Goiânia. Imersão total. Sempre foi assim. Ávido, obstinado, pronto pra aprender.

Não me importo com críticas. Não interessa se são construtivas ou não. São críticas. Podem servir ou não. Basta filtrar, usar o que serve e seguir em frente. Descarte o desnecessário. Se passarmos a nos preocupar com críticas, deixamos de viver. A maioria não serve para nada. São simplesmente a opinião de alguém que mal te conhece tentando te encaixar nos padrões dela. Em outros casos são pessoas que se preocupam contigo.

Ainda assim, siga em frente. Meu pensamento sempre foi muito simples: 'o passado já era, o futuro não chegou e estou aqui, agora'. Só posso fazer algo agora pra mudar o que for preciso.

Não gosto de hipocrisia, demagogia e detesto cuidar da vida alheia. A minha me basta. Se eu puder ajudar fico feliz. Se não, sigo em frente. Pra frente e pra cima.

Mesmo sem formação acadêmica, meu trabalho rendeu e rende os frutos necessários a minha vida. Meu modesto escritório na zona rural de Hidrolândia, Goiás, me basta. A maravilhosa família que formei completa os sentidos da minha existência.

Onde eu moro na zona rural de Hidrolândia


Se fosse para eu ter um diploma puramente para preencher meu ego, não o teria. A natureza humana já tem o ego inflado sem precisar de nada que nutra essa anomalia. Talvez hoje, por prazer, cursaria direito. Não para exercer, mas pelo conhecimento. Os trâmites, a jurisprudência, as leis, a ordem. Todavia, não me meto a gato mestre.

Desde o início, também me fascinei pela psicologia comportamental, psicologia das cores, colorimetria e cromoterapia na aplicação ao design gráfico. Prestei serviços a muitos psicólogos. Foi fundamental para o processo de reconhecer em mim as falhas que me impediram de alcançar meu êxito profissional de forma mais célere.

O amadurecimento tornou-me, impreterivelmente, ainda mais exigente com o meu trabalho, com a pontualidade, resultados objetivos, com os princípios éticos, falar a verdade e não prometer o que não posso cumprir.

O Home Office


Posso dizer que o tempo foi generoso comigo, com certeza.

Quando comecei no home office pela primeira vez, em 1998, fui chamado de toda sorte de adjetivos. Louco era o mais usado.

"Roberto, ninguém vai pagar pra você trabalhar casa. Que empresa vai te contratar? Isso nunca vai dar certo. Você só pode estar louco. Daqui a pouco isso passa e você vai ver que perdeu tempo com esse sonho. Home Office nunca vai dar certo no Brasil, espera pra ver."

São algumas das coisas amabilíssimas que eu ouvia. Entrava por um ouvido, saía pelo outro.

Fui atrás das gráficas, pequenos jornais e revistas, as empresas pras quais eu vendia impressos gráficos. Foi bem difícil na época. Muito jovem, "porra louca", cabelo grande...

Após os primeiros clientes, vieram outros indicados, mais outros e eu sempre buscava novos clientes. Fechei meu primeiros contratos fixos com gráficas para fechamento de arquivos de grades de impressos. Eu mesmo já fechava minhas grades de cartões de visita semanalmente com as vendas que tinha.

Quando deixou de parecer um "sonho adolescente", a coisa foi ficando cada vez mais séria, as "críticas" já eram mais brandas.

"É... parece que é legal esse negócio de trabalhar por conta própria em casa né?!"

"Você está sempre trabalhando eim?! Mas dá pra pagar as contas?!" Eu respondia: - Não, eu trabalho só por diversão mesmo. (Ah! a impetuosidade da juventude)

Com o tempo, a transição para o digital e quanto mais eu estudava, mas queria estudar e melhores clientes eu queria. Queria fazer serviços mais relevantes que realmente impactassem na evolução daquelas empresas. Aí eu pesquisava, aprendia, perguntava, perguntava, anotava, aprendia mais. Apareceu-me o livro "A empresa na velocidade do pensamento, de Bill Gates" (que minha tia me deu) e "Marketing para o Século XXI, de Kotler" (que tomei emprestado de um amigo).

Então eu conheci Kotler e Drucker


Dois livros que abriram minha visão para o digital de uma forma descomunal. Fiquei extasiado com Kotler. Eu jamais havia lido um livro dele, mas aquelas ideias concomitavam com as minhas. Como aquilo podia ser tão claro assim pra mim?

Quanto mais devorei seus livros, compreendi que as vivências que tive com as empresas, as conversas, meus questionamentos com os administradores, contadores, outros designers, impressores, programadores... tudo aquilo me deu bagagem para compreender sem dificuldades. Eu aprendi através deles.

O mesmo aconteceu quando li Drucker pela primeira vez. Por ter tido contato com muitos administradores, meu contato com esses dois autores foi facilitados e, como demonstrava interesse em aprender nunca tive objeções deles para me ensinarem.

A virada definitiva para o Marketing Digital


Em 2006, já tinha experiência com o Google Ads desde 2000, com o Email Marketing desde 1998. a criação de sites em HTML com Word e FrontPage e depois com o Blogger ou mesmo o Flash (que já tinha perdido seu espaço na criação de sites). Foi aí que conheci o Wordpress. Até então minha 'convivência' com o PHP era mínima, conhecia pouco o CSS e suas funcionalidades, menos ainda o Javascript, Ajax, JQuery.

Já tinha familiaridade com SEO, mas investir totalmente no digital ainda me deixava "ressabiado".

Então o Wordpress me conquistou. Prático, direto ao ponto, me possibilitou novos horizontes. Passei a fazer sites institucionais e devorar com mais afinco o SEO, Google Ads, usar as mídias sociais como o Twitter e o Orkut. Já usava o MSN desde o início e Skype há um bom tempo. Eu vinha do ICQ e Mirc. Não via dificuldades naquilo. Fui aprendendo rápido, consumindo todo o conhecimento possível, navegando noites e noites pelas centrais de ajuda das plataformas para concluir a minha 'migração digital'.

Mas ela só aconteceu definitivamente em 2015. Após o encerramento dos contratos que eu tinha com gráficas, jornais e revistas desde 2013. Preferi não renovar e terminar essa migração no final de 2014. Foi um período turbulento, difícil. Mas uma batalha. Venci.

De lá pra cá, o aperfeiçoamento não parou. Continuo pesquisando, estudando e aprendendo todos os dias, incessantemente. Esse foi um marco importante que definiu a maturação do meu trabalho e um salto evolutivo que possibilitou a vida que tenho hoje.

Em tudo isso, minha mudança pra zona rural foi decisiva. As idas e vindas dos empregos para o home office e vice-versa chegaram ao fim. Consegui estabilidade, continuidade e fluidez no trabalho.

É claro que ter reencontrado uma linda amiga de infância, que hoje é minha esposa, tem a maior parte do mérito. 🖤

Então quando penso qual é mais importante, vejo que pra mim o conhecimento foi grande chave, independente de diploma ou títulos.

Considerar-me apenas aprendiz tornou minha vida repleta de novos horizontes e sempre haverão novos.

Isso me basta.


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