O tempo, dizem, cura tudo.
Por vezes, creio.
Noutras, nem tanto.
Noutras ainda,
creio que o Amor cura.
Ele me curou.
Ela me curou.
Amou,
carinhou.
Estancou a ira.
Ira profunda.
De existir,
coexistir
Com tudo,
e com todos.
Amei o mundo,
a vida,
odiando tudo,
esprezando o mundo.
Ela curou.
Talvez ela nem saiba
ou saiba.
Quem saberá?
Eu não sei!
Nem procuro saber.
Mas ela curou.
Amou.
Estancou o gosto de sangue,
que corria vívido,
na boca, mãos, mente e na alma.
Eu que odiei a vida,
amando-a.
Só sei que com ela,
amo.
Seu cheiro me acalma.
Voltei a amar.
Não só a vida,
a tudo.
A todos.
Mesmo à distância.
Quem pode saber,
o que jamais quis saber?
Quem pode entender-me,
no âmago d'alma,
mais que ela?
Ela que usa
a única,
definitiva,
sem restrições,
coroa de amor.
A única a quem dei
tudo que sou.
Todo o amor,
toda veneração
que me coube sentir.
Onde caibo?
Também não sei.
Nem procurei saber,
antes dela
ou depois.
Nela e,
em tudo dela,
caibo.
E isso,
Ah! isso me basta
Tempo?
Contamos sim.
Amor?
Há de sobra.
Transborda.
De tempos em tempos
Vagueamos margeados
Amealhados
Inundados
De tempo... e amor.
Hoje sou,
Sim, sou.
Hoje vivo.
Sim, vivo.
Muito bem, obrigado.
Quem precisa,
por força de outrem,
adoecer-se,
amedrontra-se,
por querer amar?
Ela me amou.
Me ama.
Devolve e doa,
perdoa.
Não sei perdoar.
Pena?
As aves têm.
Amor?
Tenho sim.
Sim, senhor.
Por bem, destranquei
as chaves
de meu inóspito,
insólito,
coração.
Só ela desbravou
os recônditos
naufragados
de meu coração
semi-sepultado.
Hoje, porém,
ele brilha.
Não se esconde,
reluz,
refeito.
Restaurou-me.
Renovou.
Levamo-nos
ao altar.
Sou dela!
Em cada molécula,
cada átmo,
dela sou.
Unicamente,
indubitavelmente.
Floresce hoje,
amor.
Por todos
os lados,
reluz amor!
Roberto Pereira
12/09/2021 - 06:05h
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