quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Reluz

O tempo, dizem, cura tudo.

Por vezes, creio.

Noutras, nem tanto.

Noutras ainda,

creio que o Amor cura.


Ele me curou.

Ela me curou.

Amou,

carinhou.

Estancou a ira.


Ira profunda.

De existir,

coexistir

Com tudo,

e com todos.


Amei o mundo,

a vida,

odiando tudo,

esprezando o mundo.

Ela curou.


Talvez ela nem saiba

ou saiba.

Quem saberá?

Eu não sei!

Nem procuro saber.


Mas ela curou.

Amou.

Estancou o gosto de sangue,

que corria vívido,

na boca, mãos, mente e na alma.


Eu que odiei a vida,

amando-a.

Só sei que com ela,

amo.

Seu cheiro me acalma.


Voltei a amar.

Não só a vida,

a tudo.

A todos.

Mesmo à distância.


Quem pode saber,

o que jamais quis saber?

Quem pode entender-me,

no âmago d'alma,

mais que ela?


Ela que usa

a única,

definitiva,

sem restrições,

coroa de amor.


A única a quem dei

tudo que sou.

Todo o amor,

toda veneração

que me coube sentir.


Onde caibo?

Também não sei.

Nem procurei saber,

antes dela

ou depois.


Nela e,

em tudo dela,

caibo.

E isso,

Ah! isso me basta


Tempo?

Contamos sim.

Amor?

Há de sobra.

Transborda.


De tempos em tempos

Vagueamos margeados

Amealhados

Inundados

De tempo... e amor.


Hoje sou,

Sim, sou.

Hoje vivo.

Sim, vivo.

Muito bem, obrigado.


Quem precisa,

por força de outrem,

adoecer-se,

amedrontra-se,

por querer amar?


Ela me amou.

Me ama.

Devolve e doa,

perdoa.

Não sei perdoar.


Pena?

As aves têm.

Amor?

Tenho sim.

Sim, senhor.


Por bem, destranquei

as chaves

de meu inóspito,

insólito,

coração.


Só ela desbravou

os recônditos

naufragados

de meu coração

semi-sepultado.


Hoje, porém,

ele brilha.

Não se esconde,

reluz,

refeito.


Restaurou-me.

Renovou.

Levamo-nos

ao altar.

Sou dela!


Em cada molécula,

cada átmo,

dela sou.

Unicamente,

indubitavelmente.


Floresce hoje,

amor.

Por todos

os lados,

reluz amor!


Roberto Pereira

12/09/2021 - 06:05h










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